Arquitetura e Utopia

A opinião de José Roberto Costa Lima sobre arquitetura e a utopia da vida. E-mail jrcostalima@terra.com.br. Conheça http://www.clarq.com.br

Arquitetura e Utopia

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07.11.06

As calçadas peruanas da Rua Augusta


A cidade de Lima, no Peru, é conhecida por não ter chuva. Por isto casas e prédios não precisam de telhados, que são substituídos por terraços nas coberturas.

Lá não chove ou raramente chove. Às vezes chuvisca levemente. Não existem enxurradas e alagamentos. Lá não existem bueiros, galerias de águas pluviais e outros dispositivos próprios para a coleta das águas das chuvas.

A Rua Augusta da cidade de São Paulo apresenta características semelhantes às das ruas de Lima, sem galerias para coleta de águas pluviais e com calçadas feitas de blocos articulados de concreto assentados sobre camada de areia. Os bueiros existentes são apenas de fantasia, criados para evitar que as águas cruzem as pistas das ruas transversais. Não existe uma galeria de águas pluviais.

Acontece que na Rua Augusta chove, chove muito, como no final da semana passada. Mas a Augusta não está preparada para chuvas. As águas descem pelas sarjetas, subindo nas calçadas, engrossando o caudal, levando tudo que está pela frente, inclusive o novo piso de blocos articulados de concreto.

Antes da execução da obra, a SAMORCC (Sociedade dos Amigos e Moradores de Cerqueira César), conduzida pela guerreira Dra. Célia Marcondes, batalhou junto à comunidade para conseguir melhorar as calçadas, início de um plano mais arrojado de revitalizar a antiga fama da Rua Augusta. Seria alcançar a utopia da Rua Augusta com calçadas de primeiro mundo, com um piso de placas pré-moldadas de concreto, nova iluminação pública, palmeiras iluminadas, mobiliário urbano especial e fachadas das lojas reformadas de acordo com um esquema planejado.

Mas para isto tudo é preciso dinheiro, que poderia ser coletado com os ocupantes da rua, comerciantes e moradores, e com patrocinadores que seriam procurados pela SAMORCC.

A Prefeitura do Município de São Paulo aceitou a tarefa de refazer as calçadas, às suas expensas, sem ônus para os ocupantes da Rua.

Ótimo. Mas com o uso do material estocado por ela, ou seja, blocos articulados de concreto para serem assentados sobre camada de areia.

A SAMORCC alertou aos técnicos da Prefeitura sobre os problemas do assentamento sobre areia, devido à inclinação da rua, cujas águas das chuvas levariam a areia embora, soltando os blocos, afundando os pisos, criando buracos.

Mas, a Prefeitura, alheia a tudo isto, pois está acima de todos, contratou construtoras para executar as calçadas segundo sua especificação de assentamento, errada, mostrando todo o descaso técnico com que trata os problemas urbanos, com total despreparo.

As construtoras seguiram a especificação e deu no que se esperava: no final da semana passada a obra, que está pela metade da extensão da rua, não passou pela primeira chuva. As calçadas rolaram junto com a água e ficaram totalmente estragadas.

Hoje a Prefeitura está refazendo as calçadas, mas usando o mesmo processo inadequado de assentamento sobre camada de areia.

A Prefeitura não aprende.

E nós contribuintes pagamos a conta para fazer e refazer uma obra errada.

De fato, as calçadas da Rua Augusta são peruanas, próprias para a cidade de Lima e impróprias para São Paulo.
  • criado por  J. R. Costa Lima criado por J. R. Costa Lima
  • Postado em 23:56:18

28.09.06

Fim da poluição visual em São Paulo

categorias: urbanismo, vida, cidade

A Prefeitura do Município de São Paulo criou uma lei que proíbe publicidade externa na cidade, como outdoors, painéis eletrônicos e faixas. A lei foi aprovada pela Câmara Municipal e sancionada pelo Prefeito Gilberto Kassab, aquele que foi vice do José Serra e assumiu a Prefeitura em março passado.

Este é um enorme avanço na limpeza da paisagem urbana, que agora permitirá a visão da vegetação das praças e da arquitetura dos edifícios, sem a poluição visual que tem tomado conta da cidade.

A cidade ficará muito melhor.

Entretanto, será que esta lei será seguida? Será que as pessoas irão retirar a publicidade externa, agora ilegal? Será que a fiscalização municipal conseguirá dar conta do trabalho de retirar a publicidade proibida?

Seguir a nova lei dependerá exclusivamente da sociedade que deverá não só obedecê-la, mas também fazer com que seja cumprida por todos.

Hoje, em plena campanha eleitoral, estamos assistindo uma amostra da limpeza da cidade com eleições sem faixas, sem cartazes ou outdoors. E isto foi alcançado devido a uma legislação eleitoral federal, que proíbe a propaganda fixa nas ruas, o que mostrou que é muito melhor uma eleição sem a sujeira dos cartazes colados nas paredes e postes e das faixas, se bem que ainda existam cartazes em movimento nas ruas e calçadas, que não atrapalham tanto.

E nova lei municipal irá estender a limpeza do visual da cidade para sempre, o ano inteiro.

Repetindo, a cidade ficará muito melhor.

Parabéns à Prefeitura, Vereadores e Prefeito.

Parabens à população da cidade de São Paulo, que ganha uma nova cidade, mais limpa, com maiores possibilidades de uma vida melhor.
  • criado por  J. R. Costa Lima criado por J. R. Costa Lima
  • Postado em 15:44:00

19.09.06

A utopia na Rua Augusta

Os moradores e comerciantes da região dos Jardins, em São Paulo, querem dar um tratamento na Rua augusta, outrora famosa via que concentrava a elite paulistana com lojas e pontos de encontro conhecidos. Procura-se a revitalização da rua, com a melhoria das condições locais para fomentar o renascimento da rua. Será uma utopia?

Isto depende de uma melhoria das calçadas, dos prédios locais das lojas comerciais e de um mobiliário urbano de qualidade. Ou seja, depende da sociedade local.

Mas a fase inicial começou. Passei pela Rua Augusta e vi que as obras de reforma das calçadas estão em andamento.

Do lado dos Jardins a calçada está sendo construída de um dos lados da rua, tendo avançado à quase metade do trecho, a partir da Alameda Santos em direção à Rua Estados Unidos.

Após diversas reuniões e debates entre sócios e uma comissão técnica na SAMORCC (Sociedade dos Amigos e Moradores de Cerqueira Cesar) sobre como fazer a revitalização, decidiu-se começar pelas calçadas. E após horas de discussão com amostras de materiais e orçamentos, venceu a proposta da Prefeitura de São Paulo em fornecer e colocar um piso de blocos de concreto intertravados.

Desta forma, a Prefeitura fez os levantamentos e o projeto e, também, contratou as obras.

O resultado está dentro de esperado, com um passeio limpo, uniforme, retirando degraus, rampas, buracos e outros obstáculos ao trânsito de pedestres. Pode-se dizer agora dá para andar na calçada, ou quase, porque defeitos ainda existem.

Foram usados blocos de concreto de duas cores, cinza claro e escuro, com um desenho em faixas ao longo das calçadas. Não foram utilizadas cores vivas para propiciar o destaque dos prédios e lojas, evitando a concorrencia desnecessária.

O encontro das calçadas com as frentes dos prédios resulta na necessidade de reformar as fachadas, que estão sendo acertadas grosseiramente com a calafetação dos buracos na base dos revestimentos das paredes.

Até agora poucas lojas tiveram problemas de nivelamento da entradas com o passeio, o que me parece muito bom.

Mas, nem tudo são flores, pois a obra apresenta defeitos como:

- o não re-alinhamento/substituição das guias, que continuam tortas e quebradas em muitos lugares, embora a Subprefeitura de Pinheiros, responsavel pela obra, tivesse prometido melhora-las;

- a falta de rebaixamento de calçadas para deficientes nas esquinas das ruas transversais; estão construindo rebaixos apenas nos locais onde já existiam; um problema a ser resolvido pois ainda da tempo de introduzir os rebaixos faltantes;

- do mesmo modo, as novas calçadas acompanham os rebaixos de entrada de veículos existentes em toda sua extensão, mesmo aqueles com comprimento acima do limite legal; isto traz um desconforto ao pedestre, que passa por longos trechos de guias rebaixadas por onde passam veículos;

- a pouca vegetação existente está sendo mantidas com seus canteiros; aparentemente não há previsão nenhuma para o tratamento paisagístico que prevê o plantio de palmeiras;

- algumas tampas de caixas de passagem de concessionários não foram rebaixadas e estão recebendo arremates em rampa, deixando obstáculos nos passeios; isto precisa ser melhorado, porque as saliencias trazem perigo ao pedestre;

- já existem buracos onde os blocos intertravados afundaram; este é um problema já esperado pelo tipo de material usado; há necessidade de maior controle do assentamento do material para evitar as falhas;

A Prefeitura não quis melhorar a iluminação da rua, mantendo os postes atuais no mesmo lugar, tortos e sujos, com baixo nivel de iluminamento das calçadas. A proposta da SAMORCC previa a troca por um tipo de poste com luminárias voltadas para as calçadas além da iluminação da via, espaçados de vinte metros.

Bem, este é um primeiro passo para chegar à revitalização da Rua Augusta, uma utopia que poderá ser verdade algum dia, mas que depende da sociedade local para a melhoria dos prédios e lojas, com um padrão mais uniforme, o que pode ser dado por um estudo de massa do conjunto da rua, criando diretrizes para que os proprietários dos imóveis contratem a reforma de sua arquitetura.

A utopia poderá ser alcançada.
  • criado por  J. R. Costa Lima criado por J. R. Costa Lima
  • Postado em 13:23:46

11.09.06

Arquitetura e Utopia

A arquitetura e a utopia andam juntas: arquitetura cria condições para melhorar a vida das pessoas, procurando levá-las a utopia, onde tudo estará bem e a vida será boa.

  • criado por  J. R. Costa Lima criado por J. R. Costa Lima
  • Postado em 13:06:52