Arquitetura e Utopia

A opinião de José Roberto Costa Lima sobre arquitetura e a utopia da vida. E-mail jrcostalima@terra.com.br. Conheça http://www.clarq.com.br

Arquitetura e Utopia

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Terra Blog

Arquivo de: Abril 2008

18.04.08

O congestionamento do trânsito e o transporte

categorias: urbanismo, vida, cidade

O trânsito da cidade de São Paulo está caótico, como todos sabem.

Fala-se em criar novas restrições ao tráfego de automóveis e de caminhões na cidade.

Especulam-se idéias como aumentar os dias de rodízio de automóveis, aumentar o horário do rodízio, proibir a circulação dos veículos de grande porte (caminhões) em novas partes da cidade, criar horários noturnos para sua circulação/carga/descarga, fatos estes que iriam criar novos constrangimentos para a vida dos habitantes da cidade.

Levanto a questão de que a culpa dos problemas de trânsito, ou parte dela, seja da desarticulação do transporte público de passageiros feito por ônibus e Metrô.

A cidade de São Paulo sempre teve e continua tendo um sistema de transporte urbano público de passageiros estranho, isto sem falar na baixa qualidade dos meios de transporte.

Estranho porque as linhas de ônibus caminham acompanhando as linhas ferroviárias do Metrô, tanto aquelas que estão subterrâneas como as que estão elevadas ou mesmo no nível do terreno, como na zona leste.

O que sempre me chamou a atenção, foram as longas filas dos ônibus que percorrem a Avenida Paulista, na maior parte do tempo vazios, passando sobre a Linha 2 (verde) do Metrô. Embora em faixa de trânsito exclusiva, estes ônibus atrapalham o tráfego local com a formação de extensas filas, verdadeiros trens de ônibus, ou melhor, comboios como preferem os portugueses.

Do mesmo modo, existem linhas de ônibus acompanhando a Linha 1 (azul), que percorrem as avenidas Jabaquara, Domingos de Moraes, Vergueiro, Liberdade, Anhangabaú e Tiradentes, onde o Metrô é subterrâneo e a Avenida Cruzeira do Sul com o Metrô elevado.

Também na Linha 3 (vermelha) isto ocorre, assim como na curta Linha 5 (lilás) que vai de Santo Amaro até o Capão Redondo.

O sistema de Metrô deveria ter capacidade para suportar toda a demanda de passageiros da região, sem a necessidade de um suplemento de linhas de ônibus acompanhando suas linhas.

Por que as linhas de ônibus não são planejadas e arranjadas na malha urbana cruzando as linhas ferroviárias de Metrô e da CPTM, trazendo e levando passageiros, em vez de acompanhá-las, criando uma concorrência de serviço público desnecessária?

As linhas de ônibus deveriam cruzar as linhas do Metrô, e também as linhas de trens urbanos da CPTM, junto às estações, levando e trazendo passageiros para os sistemas ferroviários, para depois irem se afastando para a distribuição local dos passageiros, para não criar a concentração de veículos que gera o congestionamento do trânsito. Não sei se Isto seria o ideal, mas que melhoraria o tráfego de veículos e o transporte de passageiros, melhoraria.

Faço esta sugestão aos senhores técnicos de transporte e de tráfego da cidade de São Paulo. Com a palavra a SPTRANS e a CET, empresas municipais de planejamento e gerenciamento de transporte e de tráfego.

  • criado por  J. R. Costa Lima criado por J. R. Costa Lima
  • Postado em 18:22:19

16.04.08

A recuperação da Avenida Paulista

 
 
As calçadas da Avenida Paulista estão passando por uma reforma total, ficando sem buracos e sem ondulações, com jardineiras de paralelepípedos trocadas por caixas de concreto, com piso de concreto moldado “in loco” nas cores cinza claro e escuro, com sinalização podotatil para uso de pessoas com deficiência visual, etc, etc, etc. Enfim, a Avenida Paulista está ficando muito boa com as novas calçadas.

Feito isto, espero que seja recuperada a sinalização viária de prismas verticais, hoje semi-destruída, e o mobiliário urbano hoje heterogêneo.

A Prefeitura, ou o CET, instalou em alguns lugares postes comuns para semáforos, desvirtuando o sistema de comunicação visual da Avenida, misturando tipologias diversas.

A sinalização original, feita com prismas verticais da cor preta é antiga, mas muito bem planejada, extremamente útil aos usuários e passantes da avenida e deveria ser mantida e recuperada.

 

Um pouco de história é bom para entender a avenida existente.

Sua origem data do início dos anos setenta, quando a Prefeitura deu a Avenida o formato atual, dirigido pela EMURB - Empresa Municipal de Urbanismo, que contratou o escritório da arquiteta Rosa Grená Kliass para o projeto de paisagismo, e os arquitetos João Carlos Cauduro e Ludovico Martino para o planejamento de todo mobiliário urbano, que incluía bancas de jornal, bancos, jardineiras e o sistema de comunicação visual, que perdura até os dias de hoje.

Na época, o sistema de grandes prismas verticais negros adotado era inovador, com a disposição da sinalização estudada para orientação de pedestres e de veículos, com os sinais para pedestres até 2,50 metros de altura, até 3,50 metros de altura com informações de média distancia e acima disto a sinalização de longa distancia, com os semáforos embutidos nos prismas, verdadeiros totens que marcaram a paisagem da avenida.

Os prismas estão dispostos em todas as esquinas da avenida e de suas transversais com as informações de orientação de trânsito de usuários pedestres e motorizados.

Este foi um dos melhores sistemas de identificação e sinalização viária já criados e que durou mais de trinta anos, mesmo passando por algumas reformas imperfeitas conduzidas por algumas gestões municipais.

A atual gestão da Prefeitura está desvirtuando todo o sistema com a introdução de elementos estranhos, como os postes com semáforos comuns e postes com placas de trânsito.
 

O sistema de sinalização de Cauduro e Martino foi implantado quando da grande reforma promovida no início dos anos setenta, iniciada pelo Prefeito José Carlos Figueiredo Ferraz, trocado pelo então Governador Laudo Natel, por um novo Prefeito, Miguel Colassuono, que completou a obra.

Anteriormente, a obra da nova Avenida Paulista foi planejada e projetada pelo escritório do arquiteto Nadir Cury Mezerani e iniciada pelo Prefeito Figueiredo Ferraz com a proposta de rebaixamento do leito da Avenida a partir da Avenida Dr. Arnaldo, que seria uma via expressa ligando a zona oeste da cidade até a região dos bairros do Paraíso/Aclimação/Ipiranga, mantendo na superfície vias laterais para o tráfego local, separadas por grandes aberturas no piso para ventilação da via expressa. A nova Avenida teria a aparência do trecho inicial construído entre a Avenida Dr. Arnaldo e a Rua Haddock Lobo, passando sob as ruas da Consolação e Bela Cintra. A obra parou ali.

Por desentendimento entre o Prefeito e o Governador Natel, este, então, todo poderoso, demitiu o Prefeito Figueiredo Ferraz, substituindo-o pelo vereador Miguel Colassuono, que paralisou as obras de rebaixamento da avenida, já em grande parte escavada e com perfis de aço para os muros laterais já cravados nas faixas laterais desapropriadas pela Prefeitura para seu alargamento. A Avenida estava toda destruída, transformada em um caminho tortuoso dentro de um grande canteiro de obras.

O novo Prefeito, com a EMURB, promoveu o novo projeto da avenida com os arquitetos contratados, levando à conclusão das obras com o re-aterro da parte escavada e não concluída, e a reformulação da Avenida Paulista, já na superfície, com suas duas pistas de veículos separadas por um canteiro central e os grandes calçadões laterais.

As obras da Avenida foram então completadas com a execução do projeto de comunicação visual de Cauduro & Martino, mantido por diversas gestões municipais e agora correndo o risco de desintegração promovida pelo nosso atual Prefeito Gilberto Kassab.

Apelo ao bom senso do Prefeito em manter o sistema de comunicação visual diferenciado e de qualidade da Avenida Paulista, recuperando os prismas estragados ou mesmo seguindo o projeto de recuperação da Avenida contratado ao mesmo escritório dos arquitetos Cauduro e Martino pela Prefeita Marta Suplicy, que entretanto não o executou.
  • criado por  J. R. Costa Lima criado por J. R. Costa Lima
  • Postado em 15:42:41